A ESCOLA COMO FERRAMENTA DE “TRANSFORMAÇÃO DO MUNDO”, SEGUNDO A UNESCO
Introdução.
Em nossa série de artigos, estamos desvendando as complexidades da Seção 3: — “Implicações do Homeschooling e Socialização” do recente relatório da UNESCO, “A Educação Domiciliar sob a Ótica dos Direitos Humanos”. No artigo anterior, analisamos como o conceito de “diversidade” é usado como uma armadilha semântica para impor uma agenda estatal. Agora, vamos examinar uma declaração ainda mais explícita do documento, que revela a visão da UNESCO sobre o propósito fundamental da educação escolar: — a engenharia social.
A escola como ferramenta de “Transformação do Mundo”.
Este parágrafo, retirado de outro relatório e endossado neste documento, é uma declaração de intenções que deve soar como um alarme aos que defendem a liberdade das famílias na seara da educação: — “[…] as escolas devem ser locais educacionais protegidos por causa da inclusão, equidade e bem–estar individual e coletivo que apoiam — e também reimaginadas para melhor promover a transformação do mundo em direção a futuros mais justos, equitativos e sustentáveis” – página 35.
A afirmação de que as escolas devem ser protegidas “por causa da inclusão, equidade e bem–estar […] que apoiam” parte de uma premissa que o próprio relatório da UNESCO desmente em outras seções. O mesmo documento que idealiza a escola como o suprassumo do bem–estar é obrigado a reconhecer que um número significativo de pais escolhe a educação domiciliar precisamente para escapar de ambientes escolares marcados pela exclusão, iniquidade, violência e mal–estar. Portanto, como é típico dos ideólogos, a frase não descreve uma realidade, mas sim um ideal ideológico.
A segunda parte da frase é ainda mais explícita. O objetivo das escolas, segundo esta visão, não é primariamente a formação intelectual e moral do indivíduo, mas “promover a transformação do mundo”. Esta é uma confissão clara de que a educação, para a UNESCO, é uma ferramenta de engenharia social. A escola é o laboratório e os alunos são os sujeitos de um grande projeto político, cujos contornos são definidos não pelas famílias, mas por comitês e agências globais.
É crucial analisar a terminologia usada para justificar esta “transformação”: — “futuros mais justos, equitativos e sustentáveis”. Estas não são palavras neutras; são termos–chave de uma agenda política específica, apresentados como axiomas inquestionáveis. Contudo, no jargão globalista, “justiça” e “equidade” raramente se referem à liberdade individual ou à igualdade perante a lei. Ao contrário, apontam para uma igualdade de resultados artificialmente planejada e uma “justiça social” de caráter redistributivo, imposta de cima para baixo.
O problema central reside em quem define o que é “justo” ou “equitativo”. Ao “reimaginar” a escola como o motor para alcançar este futuro pré–determinado, a UNESCO posiciona o Estado (e os órgãos supranacionais) como o arquiteto moral da sociedade. Seus pressupostos próprios são sumariamente sobrepostos sobre as convicções individuais. Assim, a liberdade da família de discordar fundamentalmente dessa definição de “justiça” — ou de buscar um futuro baseado em valores transcendentes, em vez de meramente “sustentáveis” — não é contemplada. A dita “transformação” se trata de um imperativo coletivo, não chega nem perto de uma escolha livre das famílias.
Para a família educadora, a implicação é direta: — ao educar em casa, ela está cometendo o ato de insubordinação de retirar seu filho deste projeto de “transformação”. Ela está afirmando que a educação de seu filho não é um meio para um fim político coletivo, mas um fim em si mesmo: — a formação intelectual e moral daquela pessoa, segundo os valores que a família considera verdadeiros. A educação domiciliar é, portanto, um obstáculo fundamental a essa agenda e uma oposição direta ao establishment.
Considerações finais.
Fica claro que, para a UNESCO, o propósito da educação institucional transcende a formação intelectual e moral do indivíduo, assumindo o papel de um projeto de transformação social com uma agenda bem definida. A educação domiciliar surge, neste contexto, como um ato de resistência a esse modelo. Contudo, e paradoxalmente, o mesmo relatório que expõe essa visão ideológica é forçado a fazer concessões factuais que desbancam o principal mito usado contra o homeschooling.
Na nossa próxima matéria, veremos como a própria UNESCO pulveriza o argumento da “falta de socialização”.
Postagem original no Jornal Vetera: LINK
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